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    O filho feio do Niemeyer

     

    Projetado por Oscar Niemeyer em 1951, época em que Juscelino Kubitschek de Oliveira era governador de Minas Gerais. O Edifício Governador Kubitschek, ou simplesmente Edifício JK, como é comumente conhecido, só foi concluído na década de 1970, em plena ditadura militar. Com 1.176 apartamentos distribuídos entre os blocos A e B o prédio ganhou má fama na década de 1980 por abrigar prostitutas e traficantes de drogas e ainda hoje é malvisto pelos mais ortodoxos, apesar da realidade do lugar não ser mais a mesma de décadas atrás. Atualmente o condomínio é organizado e seguro. Além das câmeras de vigilância, ninguém entra no prédio sem ter nome, documento de identidade, data e horário registrados na portaria e após as 22:00h o visitante só pode entrar acompanhado do morador.

    Comunismo

    Nascido em 1907 na cidade de Laranjeiras no Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, comunista declarado, quis criar um ambiente onde houvesse interação entre os moradores. O conceito utilizado no JK foi baseado em sua ideologia política aplicado à arquitetura, concebendo espaços de cultura, lazer e comércio dentro do condomínio. Após atrasos na execução das obras e alterações no projeto original (que previa até uma piscina) o edifício foi concluído após quase 20 anos desde o desenho na prancheta até a inauguração. O bloco A tem acesso pela Rua dos Timbiras, 2.500 e o bloco B pela Rua dos Guajajaras, 1200, no bairro Santo Agostinho. Os imóveis variam entre quitinetes de 26m2 com apenas sala e banheiro, até apartamentos duplex, de 4 quartos com 186m2 nos andares mais altos e vista panorâmica para a avenida Olegário Maciel. Eduardo Santos, 39, mora em uma das quitinetes no bloco B do JK. Ele diz que ama o espaço e pretende compra-lo. Santos veio do interior de Minas e diz que nunca teve problemas com vizinhos, apesar de não abrir mão de sempre ouvir um rock´n roll. Para ele, uma das vantagens de morar no centro é a facilidade de locomoção e ter shopping, farmácia, bares e restaurantes próximos de casa. O projetista Rafael Leander, 26, vive em um apartamento no 14º andar do bloco A. Ele já morou em uma quitinete no mesmo prédio e hoje ocupa o imóvel que era alugado pela sua avó, já falecida. Leander também aprova a localização central do edifício, mas ao contrário de Eduardo, não tem planos de comprar um imóvel no JK.



    Escrito por Lukaz Siqueira às 14h31
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